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    Chocolate

    Duração:
    1 Hora
    Horário:
    Semanal, exibido aos Domingos às 19H05, com repetição à terça-feira às 12H05

Chocolate

Vida - Edição nº36

A cara mais doce da televisão

Quem consegue resistir a um bom chocolate?

15-07-2009
 

Sem calorias, em pequenas doses semanais, na caixinha chamada televisão, Vânia Vilela apresenta-nos o melhor de Angola. O programa pelo qual dá a cara assenta-lhe como uma luva. Ou, caso para dizer, como uma daquelas pratas que vestem os mais deliciosos bombons de cacau.

Com uma personalidade doce, voz aveludada e uma beleza capaz de derreter o mais desconfiado zapping de televisão, é assim Vânia Vilela que apresenta, semanalmente, o programa de figuras e eventos sociais e culturais, Chocolate. E é assim que ela se apresenta, com os seus olhos brilhantes a enfatizarem as palavras que a desafiamos a dizer, perante as questões que a ajudam a definir.

Vem sem a maquilhagem que não precisa, sem artifícios para ser assim linda de morrer, na perfeição dos seus vinte e nove anos. É assim, aliás, como gosta de se apresentar. “Prefiro que me elogiem de cara lavada, porque sou eu”. E é ela, nesta transparência, que aqui está, ultrapassando a intimidade que a televisão inventou.

SEM AMARGO DE BOCA

Se há dez anos alguém lhe perguntasse onde estaria hoje, ela poderia apontar alto, e subir as escadas para as mais prestigiadas passerelles da moda. Mas estaria longe de se imaginar a desfilar a sua simpatia na inauguração do primeiro canal privado de Angola, longe das latitudes da Europa. Mas é sem amargo de boca que olha para este grande presente, o seu Chocolate, oferecido pela lotaria da vida. Está feliz. Muito feliz com a sua dedicação de corpo e alma ao programa que a deixa aprender sempre mais. “Sinto que vou evoluindo diariamente”. E nesta busca do melhor, entre as arritmias do trabalho, ela reafirma o seu maior receio, o pesadelo do sonho que está a viver: “É horrível sentirmos que estagnamos. Eu quero aprender sempre mais, mais e mais”. Esse é o seu maior desejo, fazer um trabalho bem feito sem vedetismos. “A minha ambição não passa por aí, nunca tive ídolos nem posters colados na parede”. Colado nos seus objectivos, apenas o crescimento, na dualidade que não quer apagar a menina que gosta de ser: “Tenho gostos de criança, no fundo, sou uma miúda”.

DOCES RECORDAÇÕES

Os primeiros traços da sua biografia escrevem-se pelas mãos da sua mãe, dactilógrafa. Ela imprimiu a mudança de rumo de toda a família, ao fazer valer a sua preocupação com a educação dos filhos. Assim, a pequena Vânia, que deu os primeiros passos em Luanda, no Cruzeiro, aprendeu as primeiras letras em Portugal. Primeiro em Lisboa e depois no Porto, Vânia guarda na memória a consciência de se sentir diferente, única. “Não me lembro de ver tantos africanos lá, como há hoje”. Mas já a antever a mulher simpática, afectuosa e comunicativa que é, a adaptação foi fácil. “Normalmente dou-me bem com toda a gente e adapto-me a tudo.” A boa aluna que foi, é recordada no seu quadro mental de honra: “A professora pegava no meu caderno e ia mostrar às outras salas”. Quando chega ao décimo ano de escolaridade — é desafiada para o mundo da moda. Apenas com quinze anos e já um metro e setenta de beleza pura, os “olheiros” descobrem-na. Ela descobre a vontade de viver o mundo que desconhecia. “Ainda me lembro perfeitamente do primeiro desfile que fiz. Nunca tinha ido a uma discoteca e estava deslumbrada.”

A TENTAÇÃO DA MODA

As andanças na passerelle desviam a sua atenção das salas de aula, as notas perdem o glamour de outros tempos. Reprovou. A mãe reprovou o comportamento. Fim aos desfiles. Contrato assinado, em exclusivo, com a escola.

Vânia dedica-se aos estudos, sem pausas nem paragens, até à idade maior. Nas férias dividiu-se entre um trabalho, e o curso de manequim que o ordenado pagava. Já não havia volta a dar. Começa numa “vida dupla” entre a Moda e a Universidade. Inicia-se no curso de Relações Públicas, muda para Publicidade, faz um interregno de dois anos para a moda e volta para o curso de Comunicação Social. Viaja muito, mas não se lança numa carreira no estrangeiro. “Sou muito aventureira, mas muito medricas também. E a educação exemplar da minha mãe fez com que eu nunca visse a moda como a coisa que quisesse fazer apenas.”

DERRETIDA POR ANGOLA

Com a cabeça a dedicar-se ao curso e o corpo a participar em desfiles de moda, descobre a sua cara-metade. No final de 2006 conhece, no Porto, o namorado que trabalha em Angola. Passa a vir com grande regularidade ao seu país e a crescer a sua urgência de voltar. “Angola sempre esteve nos meus horizontes e sempre pensei regressar para ajudar, de alguma forma, na reconstrução do país.”

Em 2008 recebe o diploma do curso. Chega a Luanda, começa a fazer entrevistas de trabalho e cruza-se com a futura TV Zimbo. A proposta foi o programa semanal, o Chocolate a deixar-lhe água na boca. “Como estive muito tempo fora, a informação ou jornalismo, seriam de grande responsabilidade, ainda tenho de aprender muito sobre Angola”. O entretenimento também condizia com a sua personalidade e, assim, Vânia conjugou a expressividade com o sentido de oportunidade do país que diz ser uma lição de vida. Porquê? “Porque os angolanos são um povo alegre, bem-disposto. Mesmo com pouco conseguem ver a felicidade”. Em Angola fascina-a “a genuinidade das pessoas, que não se encontra em mais lado.”

SEM RÓTULO DE VAIDADE

No seu álbum fotográfico mental não tem registadas muitas imagens de Angola antes da emigração mas, desde que regressou, emoldura a reconstrução que o país vive: “É a olhos vistos! E a TV Zimbo é um exemplo, o primeiro canal de televisão privado em Angola!”. Tem agora uma agenda preenchida pelos cinco dias da semana, entre reportagens, entrevistas e apresentação do programa. Pertence também ao vasto grupo de pessoas que trabalham na sombra, por detrás dos spot-light. Assim defende o seu Chocolate com unhas e dentes. “Temos rubricas muito giras, mostramos o outro lado da vida dos famosos. É um programa que vai buscar o aspecto cultural que muitas vezes está esquecido, e nós temos muitos talentos escondidos e muitas coisas boas a serem feitas e nem sempre reconhecidas.” Fala do fenómeno celebridade que se vive em Angola. Mas rejeita esse rótulo para si, “ainda não me sinto uma figura pública”. Avessa a vedetismos, recusa a televisão como meio para alimentar vaidades. Apenas um lamento. Não ter como telespectadora a sua mãe, que ainda longe, desconhece o percurso da “sua princesa” que trabalha para ser “alguém de referência, uma grande comunicadora”.

CAIXA DE CHOCOLATE

Eventos Culturais. Moda. Glamour. Famosos… Estilos de vida, Beleza, Bastidores, Festas, Curiosidades… Os temas são tão diversos quanto o apelo e curiosidade geral. A comprová-lo, o êxito do magazine semanal que aos domingos, antecede o espaço noticioso das 20h30.

Associado à revista com o mesmo nome, a fórmula de sucesso transporta para o audiovisual a beleza, a alegria e a cor do mundo das artes e dos famosos, mas acrescentando, também, uma forte componente de divulgação cultural.

Estar a par e revelar o que de mais importante aconteceu durante a semana, ao nível nacional e internacional. Espreitar e mostrar vivências, gostos e quotidiano das estrelas. Revelar os bastidores do show-biz, causas das vedetas, promover eventos e iniciativas das figuras mais marcantes do universo cultural angolano, entre muitas e muitas curiosidades nunca reveladas acerca das caras famosas. Esta é a forma de estar do Chocolate que pretende sobressair, acima de tudo, na forma moderna e criativa de abordar os temas e na sua apresentação estética. Um programa com muito sabor. Magnético para os sentidos!

 

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