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Armindo Laureano e Patrícia Pacheco: Olha que dois

30-12-2009
 

Vêm de universos diferentes. Patrícia Pacheco vive no mundo da comunicação social desde os 9 anos de idade enquanto Armindo Laureano tem no programa Zimbando a sua estreia como apresentador de televisão. O programa da TV Zimbo, “que veio mudar as tardes da televisão angolana” juntou-os e, programa a programa, estão a construir um modelo de apresentação que conquista a audiência. Dois estilos diferentes que se complementam.

Patrícia Pacheco já caminha no mundo da comunicação há muito tempo. Natural do Sumbe veio criança para Luanda onde começou a praticar ginástica e ballet no Petro de Luanda. Daí para a rádio foi um salto. Começa a fazer as coreografias das danças dos cantores infantis e entra na Rádio Nacional de Angola como bailarina. Mais tarde recebe o convite para ficar na rádio. “De manhã ia para a escola e à tarde para a Rádio Piô onde fazia os trabalhos de casa e, uma vez por semana, escolhiam quatro ou cinco meninos para participar nos programas infantis. Nunca mais parei. Fiz uma série de programas”, relembra. Mais tarde abre a LAC, a primeira rádio privada e a directora da RNA, Maria Luísa Fançoni sai para a nova rádio levando alguns valores consigo como Patrícia Pacheco. “Aí fiz programas juvenis, depois tive um programa meu, fiz rádio novela”.


Jorge Antunes no caminho

A estreia na televisão acontece no Estrelas ao Palco, programa de descoberta de novos valores na música, que apresenta em conjunto com Jorge Antunes. A estreia dos dois faz parte do álbum de recordações da vida de Patrícia Pacheco. “Os primeiros programas foram uma desgraça. Nunca tínhamos feito nada em televisão, nem sequer formação. Era mesmo só na ‘assanhadice’”. O programa foi um sucesso tremendo e revelou nomes como Matias Damásio, Ary, Konde e Totó. Durou oito anos anos consecutivos.

Por coincidência, quis o destino que a vida de Armindo Laureano também se cruzasse com Jorge Antunes. A sua estreia na televisão acontece no programa Quem Quer Ser Milionário, apresentado precisamente por Jorge Antunes.

Armindo Laureano é um homem ligado ao Direito, associativista durante os tempos de estudante. Mais tarde enveredou pelo mundo do trabalho exercendo a profissão de gestor de recursos humanos. A sua vida mudou completamente quando a sua mulher viu um anúncio no jornal O País para o programa da TV Zimbo que pretendia criar milionários. Foi seleccionado e apresentou-se a concurso. “No estúdio, o Jorge pôs-me à vontade e fui respondendo e argumentando”, conta o agora apresentador. Ganhou um prémio e foi avisado para voltar às instalações da televisão para o levantar. “Quando vim disseram-me que o Guilherme Galiano, director de programas da Zimbo queria falar comigo. Durante a conversa perguntou-me se eu queria fazer televisão. Ele estava à procura do apresentador para um programa da tarde”.


A estreia

A surpresa foi enorme. “Levaram-me para um estúdio e pediram-me para participar num casting, em que tive de ler uns textos. Lá fui fazendo aquilo e, em Maio, recebi a notícia de que queriam que eu apresentasse um programa da tarde. Fiquei em pânico mas o Guilherme Galiano disse-me que estava há mais de 30 anos na comunicação social e que tinha sentido que eu tinha qualquer coisa. Tive de falar com a minha mulher e família. Todos aprovaram”, conta. No dia 8 de Junho de 2009 começou o programa.

Armindo Laureano e Patrícia Pacheco não se conheciam e entraram em estúdio depois de apenas uma semana de interacção nos bastidores da Zimbo. Antes de conhecer quem seria o seu colega de programa, Patrícia Pacheco confessa que “o meu sonho era que me dissessem que já não ia haver Milionário e que o Jorge ia fazer o Zimbando comigo. Depois de oito anos cria-se uma grande empatia, uma cumplicidade e um jogo de olhares que permite que o outro entenda o que tem a fazer. Não é preciso teleponto nem nada”. Mas seria outro o seu partenair. Apesar de não se conhecerem, Patrícia Pacheco e Armindo Laureano encaram o desafio que foi superado com muito sucesso.


...e o sucesso

“O sucesso do programa começa pela qualidade da imagem, chama a atenção dos espectadores, e depois a excelência de conteúdos. A conversa não é enfadonha, tem vários temas dentro do mesmo programa, e junta música”, explica Armindo Laureano. Patrícia Pacheco admite que “No princípio não foi fácil mas temos estado a melhorar. Estamos a começar a funcionar como uma dupla. De programa para programa estamos melhores”. Laureano concorda por inteiro. “Falar para o país ao princípio foi assustador mas a pouco e pouco fui-me libertando. Ao princípio não havia química entre nós, mas passar três horas por dia juntos ajudou a criar uma cumplicidade. O Zimbando é a imagem de nós os dois. Não estamos ali para competir mas para nos complementarmos”.

Armindo Laureano é mais técnico e tem uma personalidade mais calma, enquanto Patrícia Pacheco é mais emotiva.

Juntos e em directo já viveram situações muito intensas. “O Zimbando é um programa que mexe com as emoções das pessoas”, admite Laureano. Os dois apresentadores são unânimes em eleger o mesmo programa como aquele que mais os marcou. “Sou uma pessoa muito emotiva, choro de alegria e de tristeza. Para mim é tudo ao limite. Durante a vinda do Mamborró, que esteve doente, ao programa fiquei muito emocionada. Houve um momento em que o Maya Cool, que lhe ia prestar homenagem, entra a cantar uma música que cantávamos na rádio Piô e aí não aguentei”, relembra Patrícia. Com a emoção ao rubro, foi Armindo Laureano que teve de segurar o programa e foi obrigado a soltar-se.

Público participativo

A audiência tem vindo a aumentar e o sucesso do programa é sentido pelos apresentadores nas ruas da cidade. “Há várias pessoas que nos escrevem e com a ajuda do público conseguimos ajudá-las. Esses momentos são muito tocantes”, diz Patrícia acrescentando que “as pessoas na rua pedem-me emprego, para ser madrinha de casamento, madrinha dos filhos. Nós não fazemos nada, somos só o veículo, as pessoas que estão em casa, que ligam, é que fazem o programa. No fundo, eu posso tão pouco”.

Também Armindo Laureano vive situações engraçadas no contacto com o público do Zimbando. “Quando o programa não vai ao ar por problemas técnicos as pessoas pedem satisfações. No outro dia, uma senhora viu-me na rua e perguntou-me como era possível não haver programa, tendo ela saído mais cedo do serviço para poder assistir. Respondi-lhe: minha senhora não houve programa mas se quiser vai já tomar um café com o apresentador do programa”, conta divertido.


Mais de cem programas

Depois de mais de cem programas é possível fazer alguns balanços. “Gostei muito de entrevistar o Mena Abrantes e a Ana Clara Guerra Marques. Lembro-me muito bem da primeira entrevista que fiz e que foi ao grupo O2. Foi também tocante o programa de dia 11 de Novembro, uma edição sobre a Independência onde estiveram em público representantes dos três partidos e foi um programa muito bonito”, relembra Armindo Laureano. Ambos têm consciência que são a cara de um programa com grande audiência em Angola e não descuram das suas obrigações. “Procuro não ser um apresentador que apenas pega nas coisas e vai para o estúdio, faço pesquisa e investigação. Não há pior coisa do que não saber nada sobre os entrevistados. Temos de nos envolver, dar dicas. Costumamos chegar mais cedo, reuno com a pesquisa, contribuo de alguma forma para o programa”, refere Armindo Laureano. “Damos a nossa mais valia ao programa ao nível dos conteúdos. Sabemos das dificuldades e das coisas boas do nosso país por isso não é só chegar e apresentar. Um apresentador tem de ser mais do que isso”, completa Patrícia Pacheco. Armindo Laureano acalenta o desejo de entrevistar no Zimbando a Primeira Dama de Angola Ana Paula dos Santos e o Cardeal Dom Alexandre do Nascimento. Também Patrícia Pacheco espera um dia receber Paulo Flores em estúdio. “Sou grande fã dele de toda a minha vida”, diz. Nesse programa irá com toda a certeza haver muita emoção.

O sucesso do programa começa na qualidade de imagem e excelência de conteúdos.

todos os dias em directo

O programa Zimbando é um talk-show diário com três horas de emissão, em directo na TV Zimbo. Apresentado por Patrícia Pacheco e Armindo Laureano, este programa pretende criar uma aproximação efectiva com os telespectadores da Tv Zimbo e fazer com que estes olhem para a vida de uma forma mais positiva e consciente. Informar, promover o debate sobre questões centrais do País, escolher caminhos alternativos para a divulgação de hábitos culturais, cívicos e de saúde são alguns dos principais objectivos.

O Zimbando é um programa que mexe com as emoções das pessoas.

PERFIL
 

Nome: Patrícia Miranda Pacheco
Idade: 37 anos
Naturalidade: Sumbe, “as cidades pequenas têm outra magia. Toda a gente se conhece”
Filhos: Duas filhas Sininha de 15 anos e Luana com 10, casada há 15 anos
Música: Paulo Flores “Sou fã nº 1. Quando vou a um espectáculo descontrolo-me”
Tempo Livre: Ir ao Mussulo, festas de amigos e famílias
Projectos: “Terminar a minha formação académica e estudar na área de gestão de empresas ou publicidade e marketing. Continuar com a minha loja de roupa para crianças, a Luaninha, e ter uma cadeia de lojas”


PERFIL

Nome: Armindo Laureano
Data de nascimento: 2 de Janeiro de 1976
Noite “Não sou dado a noitadas. Guardo esse momento para fazer investigação e para a minha família. Gosto de jantares em casa seguidos de um serão na companhia de amigos”
Hobies: Canicultura, Escrever (é autor de um conjunto de crónicas que circulam por e-mail e fazem muito sucesso)
Filhos: “Um filho adoptivo com 21 anos e à espera de receber o Guilherme de Fátima, nome de homenagem a Guilherme Galiano, um homem que não me conhecia de lado de nenhum e apostou em mim”
Pratos: Feijoada “Adoro feijão. Podia comer todos os dias”, Caril de gambas
Referências Guilherme Galiano, Amilcar Xavier, Saul Gonçalves, Mara D’Alva, Mário Crespo, Arsenio Hall, toda a equipa do 60 minutos


 

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